Real-time Web - O que oferece , para onde vai?

Published at 2009-07-22 10:04:38 - Last Updated at 2009-07-22 10:04:38
Tags: social media, twitter
Real-time Web é um dos nomes que começa a generalizar-se para as novas redes sociais. Ao contrário de sites sociais mais antigos, nas novas redes sociais, como o facebook, o twitter ou o friendfeed existe realmente interacção em tempo real. Mas que fim serve a Web em tempo real?

Antes de mais, até onde vai a web em tempo real? As redes sociais, como o Facebook ou o Twitter permitem aos seus utilizadores adicionar pequenos conteúdos, seguir os conteúdos adicionados pelos outros utilizadores em quem têm interesse e comentar em tempo real esses conteúdos.

Mas da mesma forma que os novos conteúdos aparecem a todos os seguidores do seu produtor, e os comentários a mais ou menos pessoas, dependendo da rede, estes conteúdos também passam para a página seguinte e deixam se ser interessante.

A web em tempo real concentra-se no que acontece momento a momento sem qualquer respeito pela história. Quem está participa, quem não está estivesse. E para a maioria dos seus utilizadores o que se passou enquanto estavam online nao tem qualquer interesse, se for realmente importante voltará a aparecer enquanto estão online.

Vantagens

Mas, então, quais são as vantagens da Web em tempo real (Real-time Web)?

Antes de mais, a Web em tempo real é uma fonte de informação como nenhuma outra. Não é necessária uma rede social muito grande para começar a receber uma quantidade razoável de informação relevante no momento em que essa informação é relevante. E à medida que mais e mais fontes de informação aderem às redes sociais, torna-se cada vez mais fácil encontrar fontes de informação com alguma credibilidade e interesse, independentemente de qual sejam os seus interesses.

Depois, nas redes sociais mais importantes, a interacção realmente existe, e existe em tempo real. Cada um pode adicionar o próprio comentário aos conteúdos de que gosta, recomendá-los à sua própria rede, falar sobre os conteúdos ou simplesmente partilhar os seus próprios pensamentos.

Mas, da prespectiva dos seus utilizadores, a grande vantagem das redes sociais é que lhes colocam o poder nas suas mãos. Nas redes sociais cada um dos utilizadores decide quem quer seguir, de quem são as actualizações que lhes interessam, e tudo o resto lhes passa completamente ao lado.

Desvantagens

A grande maioria das desvantagens da web em tempo real já se diziam de muitas coisas antes dela, e muitas dessas razões são pior razões ainda para as, noutros tempos, poderosas empresas de media. Mas estas desleixaram-se, não estão preparadas para competir neste mercado onde cada utilizador que apenas aquilo que lhe interessa, aquilo que o ajuda a fazer parte da sua rede social ou a aumentar a sua integração com os seus interesses.

Alguns dos media tradicionais até tentam acompanhar os seus utilizadores para onde eles migram, tentam estar na rede social da moda, sem perceber que quem os acompanha lá são geralmente aqueles que eles para lá levam, e não os utilizadores que tentam a todo o custo conquistar.

Mas, mais do que isso, quando migram para estes novos territórios não vão equipados para fazerem parte. Vão para lá da forma que sempre se apresentaram, como alguém que deve ser seguido, alguém que acha por precisa apenas de estar presente para ter sucesso imediato. Mas isso está longe de ser uma realidade. Os utilizadores das redes sociais estão lá precisamente porque elas lhes colocam o poder de escolher, de interagir e de fazer parte nas suas mãos.

Mas, além das dificuldades que cria a quem quer chegar às massas, os, chamados, media sociais trazem também um novo problema. Trata-se da questão da privacidade. Inicialmente apenas uns pouco sabiam escrever. Depois pouco mais tinham a capacidade para imprimir noticias, e limitavam essa informação ao que achavam que era relevante para os seus leitores, um número ainda assim restrito de pessoas, uma vez que a maioria da população não sabia ler nem escrever. À medida que a população em geral se foi tornando cada vez mais alfabetizada, mais se foram tornando os leitores, e com o advento, no final do século passado, da criação da internet, criar um site foi-se tornando possível para cada vez mais pessoas. Mas é apenas com o aparecimento dos blogs que se tornou possível a qualquer pessoa publicar os conteúdos que pretendia. Mas ainda assim o blog não é o formato ideal para as divagações pontuais do momento.

São as redes sociais, especialmente as redes sociais no pós-twitters (por ser este o primeiro site mais massificado deste tipo) que vêm criar a ferramenta ideal para o comum dos mortais. Um twitter é uma mensagem curta, pensada para descrever o que se está a fazer ou a pensar, e que é entregue a quem decidiu previamente receber as mensagens de cada utilizador.

Mas não é só esta inovação que o twitter cria. Trata-se também de uma das primeiras redes sociais com um sistema de relações assimétricas, em que cada utilizador pode subscrever outros, sem que isso implique a subscrição no sentido oposto. Não me entendam mal, isto é uma das grandes vantagens do twitter (e do FriendFeed, já agora) sobre muitas outras redes sociais. Mas os seus utilizadores podem perder facilmente a noção de até que ponto a informação que partilham nestas redes é pública. E isso potencia os utilizadores a tornarem pública informação que de outra forma não iriam expôr, pois fica a ideia de que estão a partilhar informação com amigos, e por vezes essa informação vai muito para além das fronteira do grupo de amigos de confiança com quem normalmente partilhariam a informação.

A título de exemplo, poucas pessoas colariam na janela de casa que foram de férias, mas a localização da casa estão muitas vezes ao alcance de quem siga um feed to twitter, assim como o momento de descolagem e o destino do voo em direcção a umas merecidas férias no paraíso (para voltar e encontrar a casa completamente vazia, como já aconteceu).

Koan (A pergunta que fica)

Anúnciar a morte das redes sociais é tão realista como dizer que elas são o futuro. Mas a verdade é que elas são o presente, e é no presente que se constrói o futuro.

A pergunta que realmente interessa é como conseguir criar um ponto que ligue os utilizadores dos media sociais com empresas mais tradicionais, como os jornais, as revistas, e os produtores de conteúdo de uma forma mais duradoura, como estabelecer um relação mais duradoura, mais consistente?

Ou o papel de produtor de conteúdo está destinado a tornar-se um papel global, no qual todos nos revemos, e do qual todos nos queres investir?

Ainda continua a haver lugar para produtores de conteúdo especializados nessa tarefa? E como se espera que desempenhem esse papel?

Estas são, penso eu, as questões que ainda estão por responder, não são? Têm respostas para elas?

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